Sábado, Setembro 29, 2007

[quando eu morrer]

quero virar tinta
cair no chão
fazer borrão
e morrer novamente
lentamente
absorvida
encharcando
não mais a sua boca
mas
uma folha
de
papel toalha

Sharon Eve




[de uma vez]

implacável
de uma vez
olhou-se no espelho
empunhou o brinquedo
afastou os dedos
e logo o fez

e o pouco cabelo
que se espalhou na pia
guardou num envelope
no caso de arrependimento
ou pra fazer amuleto de sorte.

Sharon Eve




[longe de você]

longe de você, você é pra mim tudo que eu quero que você seja. tanto para o bem quanto para o mal.
longe de você, você deixa de existir... porque vejo a sua foto e encho a sua cabeça de pensamentos meus. então lembro das suas próprias palavras, traduzindo a torto e a direito pensamentos que estão em mim e não em você...
e então o que é só imaginação fica agudo, afiado, machuca de verdade.
me faz agir apressada, errada, enganada, traída pela minha própria cegueira.
e talvez seja insistência a minha, e talvez essa insistência um dia se prove eficaz... ou talvez seja tudo o contrário do que tava traçado. eu não sei. e não quero mais pensar. só quero calar.

então daqui até lá, silêncio, por favor.
já estou falando comigo, e não com o senhor.

me faltam tantas laudas, me sobram tantas idéias, e à frente tantas possibilidades de amores e eu ainda insisto em completar o álbum. porque dessa vez acredito que encontrei a figurinha premiada...
mas em meio a tanto barulho fica difícil destingüir.
o que sai de você e o que vem de mim.

e por favor...
ao sair, apague a luz. quero dormir.

Sharon Eve




Terça-feira, Setembro 25, 2007

[quase três]

ficamos quase juntos
fomos quase felizes
mas eu não troco nenhuma das nossas lembranças
por certeza alguma


[passando sete]

e daí se ninguém consegue ver o nosso intangível, no qual e para o qual corro, busco abrigo.
e abraço.
ah, o melhor do mundo!


[looking glass]

e eu olho
e eu olho
e eu olho

vejo
revejo

e eu olho
e espero
e escrevo

e daí colei as letrinhas num papel
e daí ela me devolveu com um presente:

texto-poema
o meu tcc pelos olhos da minha orientadora

poema que se mescla ao texto que revela pela palavra as incertezas da viagem certa, que já começou, sem fim certo, com o quê, o onde e o quem, que se sente, gera pensamentos, pensamentos-palavras que viram imagens...
...por enquanto...
de um tempo congelado e grudado em sua própria sombra.

Sharon Eve




Sexta-feira, Setembro 21, 2007

caiu e levantou. só.

Sharon Eve




sozinha, ouvindo latidos intensos, descobriu a outra.
e a outra ela era mesma.
do lado do avesso. ao contrário. de propósito. sem gosto. sem graça.
distante do que é real. perto demais do calor que impede o movimento viceral, necessário pra essa auto-biografia-narrada-em-prosa-poética-na-fotografia-imaginada.
sentou na cama.
sorriu, chorou.
abriu o livro pela primeira vez.
cortou o dedo na borda ardida do papel.
e por birra resolveu dormir.

Sharon Eve




Sexta-feira, Setembro 14, 2007

[pra matar o que não é vivo]

a internet é uma mentira de presença.

Sharon Eve




Quinta-feira, Setembro 13, 2007

[cedo]

eu adooooro leite.

puro, gelado, com chocolate...
mas quando quente, tem uma temperatura certa pra isso. eu chamo de "confortavelmente quente".

tem coisa pior do que queimar a ponta da língua e ficar o dia todo sem sensibilidade nas papilas gustativas?

então é engraçado perceber as relações que a gente faz pra estar sempre na zona confortável.
no microondas de casa é bico: sei quantos segundos pra cada tipo de copo e caneca. e se o leite estiver gelado ou em temperatura ambiente.

e eu adooooro namorar.

as trocas, carinhos, sexo...
mas quando tem outro nome, fica difícil saber o que é certo ou errado (mas a verdade é que essa classificação nem existe pra assuntos do coração). eu chamo isso de "descontrole".

tem coisa pior do que querer chamar de "meu" e não poder, depois de ter aprendido que era assim?

então é engraçado perceber as relações que a gente faz pra evitar sempre a zona de descontrole.
pra cada pessoa nova que aparece, uma nova medida de entrega, de cobrança. mas sem deixar de ouvir o coração.

isso também porque a gente muda com o tempo (ainda bem!) e tem chance de ficar cada vez melhor.
com tudo isso, quero dizer que ando bem flexível pra dar o que cada um precisa (ou quer) de mim. tô tentando usar esse jogo de cintura também na área profissional, que é um pouco mias difícil. porque esse meu coração de manteiga não deixa! mas eu chego lá.

mas bom mesmo é tomar leite, naquele copo, com uma colher de sopa rasa de toddy, 1 minuto e 8 segundos no micrrondas pra ficar confortavelmente quente.
tem coisa que não muda (ainda bem!).

Sharon Eve




Segunda-feira, Setembro 10, 2007

[dentro do sono]

quando o sonho te parece melhor que a vida, então é hora de acordar.

Sharon Eve




Domingo, Setembro 09, 2007

a foda tinha sido muito boa. aí ele olhou dentro dos olhos dela e disse: como é que ele pôde te deixar ir embora? pouco tempo depois partiu sem ao menos dizer adeus.

Sharon Eve




[a minha casa fica lá de trás do muro]

e eu estou cuidando dela.

Sharon Eve




Sábado, Setembro 08, 2007

daqui pra frente, saudade.

Sharon Eve




que virou lembrança

Sharon Eve




e o abraço de quem sempre parte

Sharon Eve




e a água que não escorre

Sharon Eve




e o seu silêncio que não se rompe

Sharon Eve




e essa carta que não chega

Sharon Eve




e esse telefone que não toca

Sharon Eve




ou então é espelho, quebrado, mil pedaços, refletindo a verdade que lhe convém.

Sharon Eve




é descaso, desinteresse ou desamor?

Sharon Eve




você é assim mesmo ou só está fingindo?

Sharon Eve




[trocados]

o meu problema é não entender muito bem tudo isso que tem aqui. parece mais fácil simplificar e sair por aí dizendo que é amor. fica mais bonito na poesia!
mas esse soluço amargo pra quem não toma café não tem a menor graça.
tem momentos específicos como esse que estou cultivando num potinho de vidro que não têm a menor pontinha de ser qualquer tanto interessante.
e minha vontade era então pegar aquele par de asas e voar bem longe, pra algum lugar tipo a ilha do lost, onde o inexplicável se explica com o absurdo não-plausível.
voltaria pra casa com a bicicleta, asas já não seriam mais necessárias.
nem essas preocupações todas de merecimentos.
ou confusões como as que fazemos com os tipos de queijo, com os tons de cinza, com a traição dos sentimentos...

a verdade é que você não entende nada.
e eu não tô assim, bem afim de explicar porque iso 100 é 125 5.6. Ou porque a luz do sol ilumina a lua de maneiras diferentes durante o mês. Ou explicar porque hoje, e somente hoje, eu não pude ser quem eu sou.
porque você não estava lá.
porque você não quis me dar.

e mais que isso, meu amor, quem não pode dar sou eu.

Sharon Eve




Quarta-feira, Setembro 05, 2007

[terapia do luto]
grief therapy

abra-se à dor de seu coração dilacerado. Deus entra pelo dilaceramento dele.


3 meses de muita saudade.

Sharon Eve




Terça-feira, Setembro 04, 2007

e para os momentos de desespero, há sempre de se lembrar da asa que leva o chá ao coração.

Sharon Eve




[closer]

Dan comes back down the hall, steals a rose from outside another room. He walks in and offers her the rose.

Alice: I don't love you anymore.

Dan: Since when?

Alice: Now. Just now. I don't want to lie. Can't tell the truth, so it's over.

Dan: It doesn't matter. I love you. None of it matters.

Alice: Too late. I don't love you anymore. Goodbye.
Here's the truth, so now you can hate me. Larry fucked me all night. I enjoyed it. I came. I prefer you. Now go.

Dan: I knew that. He told me.

Alice: You knew?!

Dan: I needed to hear it from you.

Alice: Why?

Dan: Because he might have been lying. I had to hear it from you.

Alice: I would never have told you, because I know you would have never forgived me.

Dan: I would. I have.

Alice: Why did he tell you?

Dan: Because he's a bastard.

Alice: How could he?

Dan: Because he wanted this to happen.

Alice (getting angry): But why test me?

Dan: Because I'm an idiot.

Alice: Yes. I would have loved you... forever. Now, please go.

Dan: Don't do this, Alice. Please, talk to me.

Alice: I am talking. Fuck off.

Dan: I'm sorry. You misunderstand! I didn't mean to.

Alice: Yes you did.

Dan: I love you!

Alice: Where?!

Dan: What?!

Alice: Show me! Where is this love? I... I can't see it, I can't touch it. I can't feel it. I can hear it. I can hear some words, but I can't do anything with your easy words. Whatever you say is too late.

Dan: Please, don't do this!

Alice: Done.
Now, please go, or I'll call security.

Dan: No, you're not in a strip club, there is no security.

Alice picks up the phone. He goes over and grabs it from her.

Dan: Why did you fuck him?

Alice: I wanted to.

Dan: Why?

Alice: I desired him.

Dan: Why?

Alice: You weren't there!

Dan (getting upset): Why him?

Alice: He asked me nicely.

Dan: You're a liar.

Alice: So?

Dan (screaming): Who are you?!

Alice (crying): I'm no one!

Alice spits in his face. Dan thinks about hitting her, and it's obvious.

Alice: Go on, hit me. It's what you want. Hit me, fucker.

Dan slaps her, hard.

...no heroe in her sky...

Sharon Eve







Não há nada no mundo que não possa ser guardado aqui dentro. Nem nossos silêncios ou gargalhadas. Nem aqueles cheiros, ou a chuva gelada de uma manhã de segunda. E quando a gente acha que tá tudo decidido, dobra um vento novo, mostrando outro caminho.
orkut




me escreve!




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